Cevadura (08-04-11)
Vivemos fugindo da morte
Se a vida aparentada
Pode ser forquilha
Dos soslaios de sanga
Da funda emborrachada
Aprendemos a ser fortes
Inevitável vaquejada
Minha mãe sede prima
E deste desgosto não surte
Para que despir
Aquilo que nos redime
Ó musa de todos os santos
Não nos faça ainda dormir
Ou o despertar da vida campeira
Legítima e traiçoeira
Faça-me puro de novo
Aquela cevadura de erva
Entrego a alma talvez
Quem de nós não desejaria
Um dia mirar esses prados
E todo o Rio Grande amado
Lá do alto, junto de Deus
E chorar com o mate pronto
Cada pitoco de campo
Que relembra nossos heróis
Ah, Bento, se tu ainda presidisses
A terrena perfídia
Que a nós foi imposta
Não desbravarias nem canha
Nem uniforme maragato
Lá de cima eu pediria
Um traquito de agua quente
E avivar-me as vistas
Da minha estância tranquila.
***
sexta-feira, 8 de abril de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
MARÇO-11
PRETÉRITO PRESENTE – FINAL (21-03-11)
Este é o presente de que o passado
Vive agora, no âmago
O último deles ou o quinto rechaçado
Onde enfim se finda todo o sabor amargo
Já que o frondoso sete
É o número do infinito
De branco disparaste o ginete
Até terras sem mar, recordo “caminito”
É a lã de finos novelos
Aquela mesma de aventais grossos
Não esqueço a pompa desses cabelos
Que exorcizam até poetas desdenhosos
Da vida torpe que um dia pudera aprendi
Longe desses olhos, sete anos, sete vidas
Todas elas eu daria por ti
Por um único beijo a luz das três marias
Todos orgulhos e medos são sutis
Toda melancolia é efêmera
Ao som dessa voz de cassis
Deste rosto de Apolo, aprendiz de desdêmona
E tantas outras luas
Que um dia rutilaram para mim
Já que vens do ouro, sabes tu
Das nobres feições, rosto serafim
Essa semântica epistêmica da verdade
Que liberta, salva e guia
Abençoado por esse endêmico sete
Que por idas tolas geram saudade
A quem a paz gera linda maresia
Cortejado, em pose de valete
Aos passos de eternas paixões
És brinde rubro como entranha servil
Arco-celeste colorido, borbotões
A nós parabéns, por volúpias mil
Este é o presente de que o passado
Vive agora, no âmago
O último deles ou o quinto rechaçado
Onde enfim se finda todo o sabor amargo
Já que o frondoso sete
É o número do infinito
De branco disparaste o ginete
Até terras sem mar, recordo “caminito”
É a lã de finos novelos
Aquela mesma de aventais grossos
Não esqueço a pompa desses cabelos
Que exorcizam até poetas desdenhosos
Da vida torpe que um dia pudera aprendi
Longe desses olhos, sete anos, sete vidas
Todas elas eu daria por ti
Por um único beijo a luz das três marias
Todos orgulhos e medos são sutis
Toda melancolia é efêmera
Ao som dessa voz de cassis
Deste rosto de Apolo, aprendiz de desdêmona
E tantas outras luas
Que um dia rutilaram para mim
Já que vens do ouro, sabes tu
Das nobres feições, rosto serafim
Essa semântica epistêmica da verdade
Que liberta, salva e guia
Abençoado por esse endêmico sete
Que por idas tolas geram saudade
A quem a paz gera linda maresia
Cortejado, em pose de valete
Aos passos de eternas paixões
És brinde rubro como entranha servil
Arco-celeste colorido, borbotões
A nós parabéns, por volúpias mil
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
2011
Emigrações (18-02-11)
Aquele lenço colorado
É só o que pede meus olhos agora
Aquele laço avermelhado
Acende o tom da minha aurora
O que seria desse chão
Sem a contribuição pampeana
Vacariano, pelotense, cisma de vanerão
Naquele adeus servil de Mariana
O intenso frio da serra
Longínquos pagos do norte
Nhapa da vida, longa espera
Flete que conduz a sorte
Aviso o bugre da fronteira
Lá de Rivera, no Uruguay
Aqui começa o Brasil
Ou termina, tanto faz
E é naquela coxilha que vejo
O gaúcho que sorve bomba e mate
Relampejando meu desejo
De um dia vestir de novo escarlate
É macho que bate as botas
Além de couro, trago e pala
Trago nostalgias remotas
De ginete, cartucho e bala
Traço de trincheira
Medo da morte...
Eu preciso desse cheiro, desse pó
São muitos nessas bandas
Ancião ou guri, tenho dó
Já nao mais miro as estancias
Sinto o alvi negro anil
Ah, este faz parte de mim
Aqui ou lá, sou servil
Pois são glórias, louros de cetim
É lusco fusco de gerações
É o bagual que corre ao longe
Guaiaca larga, bombacha de botões
Religioso e casto como monge
E naqueles dias de bolicho
Eram tempos de piá, sinto-me carente
Ah, se meu pai visse o petiço
Cercado da chaleira de agua quente
O relho então vinha certo
Te fresqueia gaudério!
Que só a purinha de butiá
Fazia arder de perto
Aquele danado climatério
Por fim são atos do Rio Grande
Que esta gente buena viu
Já em tempo fervilhante
O herdeiro ela pariu
Sem as cores do aramado
Sem o vinhedo tranquilo
Sem o potro amarrado
Tampouco o mar peregrino
É nativo, é da terra
Tem sangue colorado nas veias
Chora ximango chuleador, berra
E recorda morno as peleias...
Ribeirão Cascalheira, MT.
Copiosa (14-02-11) Livre
Me vejo sempre
Em lágrimas copiosas
Por motivos aleatórios
Que a própria lágrima desconhece
Via-me ontem
Em pranto copioso
Semblante duvidoso
Em coração rancoroso
Que finge estar bem
São ares da pessoa amada
Que tardam em reconhecer
O rosto enxovalhado aos pés
De figueira santa
Murmurando, soluçando
O por que
Dessas finas copiosas
Retumbante é o teu fruto
Aos pés de tantos dias fecundos
Ao lado de quem se ama
É copioso o regozijo
Palpitantes, ó meu Deus!
É o rumo de quem passa
Uma vida por amor
Pelos dias, todos eles
O discurso amiúde
Em ouvidos de seco pranto
E úmido, todavia
De atitude copiosa
Esse ser que alivia meu tormento
Em cuia, em laço, em peito moreno
É ardor ainda em sede ... em goles pios
Das tuas que são ricas e dulces
E só a mim provocam
Lágrimas copiosas...
Em Canarana-MT. ______________________
A Missiva (08-02-11)
Ela leve assim todos os desejos impuros
Só assim desejar aos dias que me restam
E aquelas guardadas que poucos consolam
Foram elas, as missivas, epístolas dos santos
Que confortaram o seio daquele que me abraçou
A fria carta singela que clamava por amor
Que só queria ouvir e ouvir, todavia era surda
Proclamando acordos, conclaves, vitrais de anjos
Daquilo que sempre quis para mim...
São almas que assim comunicam a vontade de Deus
Que nos permite ao clamor de recebe-la
Intrigar ao intimo o desejo intrínseco
De atrair as favas das obscenidades mentais
Ao resgate dos dias que me foram
E jamais terão o gosto e a raiz de prosseguir...
As missivas nunca morrem, que consolo
O que morre é nosso íntimo e contrassenso sentido
Do perdão divino que redime a nos mesmos
Desta fleuma que incomoda inercialmente
Ou que ofusca tao belas linhas de outrora
Quero apenas recordar o carinho e o dia
Que este afago verdadeiro redimiu meu ser
Disparo esta, são sempre missivas
Em mais uma angustia estampada
Daquelas que são cálidas pois reavivam
Sentimentos escusos, sombrios
As missivas são covardes
Retratam a ideia de não desfazer do acaso
Ou da lembrança da fraca memória humana
Que teima em lograr a razão
Disfarçada de negro nos dias chuvosos
De apegos guardados, empoeirados
Da essência do sentido real
Se é que o mesmo ainda existe...
Só sei que elas, as missivas
Estão aqui mais uma vez
Assombram, denotam, suspiram e guardam
Aquela vida medida de tempos atrás
Só agora sabemos o tamanho, o valor
Da paixão incontida, secreta em caixa pequena
Eu só queria esclarecer em tuas linhas
As vergonhas e síndromes que já vencemos
Os dragões e serpentes que engolimos
E o brilho rutilar das aguas que sorvemos...
São elas que abrasam e criam dicotomias
Das certezas tripartites da cruz do alvorecer
Que chora devagar, tênue e permissiva
Com espírito radiante e sedento de assunção
Que podeis ser vós
Até o trágico destruir desta missiva?
Leonardo Adam Poth
Aquele lenço colorado
É só o que pede meus olhos agora
Aquele laço avermelhado
Acende o tom da minha aurora
O que seria desse chão
Sem a contribuição pampeana
Vacariano, pelotense, cisma de vanerão
Naquele adeus servil de Mariana
O intenso frio da serra
Longínquos pagos do norte
Nhapa da vida, longa espera
Flete que conduz a sorte
Aviso o bugre da fronteira
Lá de Rivera, no Uruguay
Aqui começa o Brasil
Ou termina, tanto faz
E é naquela coxilha que vejo
O gaúcho que sorve bomba e mate
Relampejando meu desejo
De um dia vestir de novo escarlate
É macho que bate as botas
Além de couro, trago e pala
Trago nostalgias remotas
De ginete, cartucho e bala
Traço de trincheira
Medo da morte...
Eu preciso desse cheiro, desse pó
São muitos nessas bandas
Ancião ou guri, tenho dó
Já nao mais miro as estancias
Sinto o alvi negro anil
Ah, este faz parte de mim
Aqui ou lá, sou servil
Pois são glórias, louros de cetim
É lusco fusco de gerações
É o bagual que corre ao longe
Guaiaca larga, bombacha de botões
Religioso e casto como monge
E naqueles dias de bolicho
Eram tempos de piá, sinto-me carente
Ah, se meu pai visse o petiço
Cercado da chaleira de agua quente
O relho então vinha certo
Te fresqueia gaudério!
Que só a purinha de butiá
Fazia arder de perto
Aquele danado climatério
Por fim são atos do Rio Grande
Que esta gente buena viu
Já em tempo fervilhante
O herdeiro ela pariu
Sem as cores do aramado
Sem o vinhedo tranquilo
Sem o potro amarrado
Tampouco o mar peregrino
É nativo, é da terra
Tem sangue colorado nas veias
Chora ximango chuleador, berra
E recorda morno as peleias...
Ribeirão Cascalheira, MT.
Copiosa (14-02-11) Livre
Me vejo sempre
Em lágrimas copiosas
Por motivos aleatórios
Que a própria lágrima desconhece
Via-me ontem
Em pranto copioso
Semblante duvidoso
Em coração rancoroso
Que finge estar bem
São ares da pessoa amada
Que tardam em reconhecer
O rosto enxovalhado aos pés
De figueira santa
Murmurando, soluçando
O por que
Dessas finas copiosas
Retumbante é o teu fruto
Aos pés de tantos dias fecundos
Ao lado de quem se ama
É copioso o regozijo
Palpitantes, ó meu Deus!
É o rumo de quem passa
Uma vida por amor
Pelos dias, todos eles
O discurso amiúde
Em ouvidos de seco pranto
E úmido, todavia
De atitude copiosa
Esse ser que alivia meu tormento
Em cuia, em laço, em peito moreno
É ardor ainda em sede ... em goles pios
Das tuas que são ricas e dulces
E só a mim provocam
Lágrimas copiosas...
Em Canarana-MT. ______________________
A Missiva (08-02-11)
Ela leve assim todos os desejos impuros
Só assim desejar aos dias que me restam
E aquelas guardadas que poucos consolam
Foram elas, as missivas, epístolas dos santos
Que confortaram o seio daquele que me abraçou
A fria carta singela que clamava por amor
Que só queria ouvir e ouvir, todavia era surda
Proclamando acordos, conclaves, vitrais de anjos
Daquilo que sempre quis para mim...
São almas que assim comunicam a vontade de Deus
Que nos permite ao clamor de recebe-la
Intrigar ao intimo o desejo intrínseco
De atrair as favas das obscenidades mentais
Ao resgate dos dias que me foram
E jamais terão o gosto e a raiz de prosseguir...
As missivas nunca morrem, que consolo
O que morre é nosso íntimo e contrassenso sentido
Do perdão divino que redime a nos mesmos
Desta fleuma que incomoda inercialmente
Ou que ofusca tao belas linhas de outrora
Quero apenas recordar o carinho e o dia
Que este afago verdadeiro redimiu meu ser
Disparo esta, são sempre missivas
Em mais uma angustia estampada
Daquelas que são cálidas pois reavivam
Sentimentos escusos, sombrios
As missivas são covardes
Retratam a ideia de não desfazer do acaso
Ou da lembrança da fraca memória humana
Que teima em lograr a razão
Disfarçada de negro nos dias chuvosos
De apegos guardados, empoeirados
Da essência do sentido real
Se é que o mesmo ainda existe...
Só sei que elas, as missivas
Estão aqui mais uma vez
Assombram, denotam, suspiram e guardam
Aquela vida medida de tempos atrás
Só agora sabemos o tamanho, o valor
Da paixão incontida, secreta em caixa pequena
Eu só queria esclarecer em tuas linhas
As vergonhas e síndromes que já vencemos
Os dragões e serpentes que engolimos
E o brilho rutilar das aguas que sorvemos...
São elas que abrasam e criam dicotomias
Das certezas tripartites da cruz do alvorecer
Que chora devagar, tênue e permissiva
Com espírito radiante e sedento de assunção
Que podeis ser vós
Até o trágico destruir desta missiva?
Leonardo Adam Poth
sábado, 11 de dezembro de 2010
Dezembro... derradeiro...
Pequena Homenagem ao Araguaia (11-12-10)
Não me admiraria um dia rever o clamor prateado do sol lançado às bordas do Araguaia. Rever-lo-ia como um beijo de face sobre a memória do viajante que a tanto se adianta por essas terras distantes. Quão belo sois pai na luz da graça do infinito quando nos presenteia com o galanteio febril de tempos e o deslumbre fértil da fauna doce que ali brota. Quão revigorante é o dia nascido na aurora ribeirinha, nesse divisor de mundos trigueiro, nosso imenso Mato Grosso tão pertinho de Goiás e Tocantins. E que adjetivo funcional vos destes. O Araguaia é o símbolo da união desses povos, dos vales mais profundamente esquecidos nos rincões de meu Deus. O que dizer dos bravos guerreiros que absorveram a mística desse lugar santo ao longo de sua extensa margem, emigrantes na busca da terra outrora sonhada.
É de pujança e de valor que vive essa gente. Longe dos olhos da capital Cuiabá, reverenciamos o mais belo dos espetáculos naturais deste estado. Bravo Araguaia! Só tu tens esse poder. Ilumina nossos olhos e adianta teu caminho...
Leonardo A. Poth, em São Félix do Araguaia
Não me admiraria um dia rever o clamor prateado do sol lançado às bordas do Araguaia. Rever-lo-ia como um beijo de face sobre a memória do viajante que a tanto se adianta por essas terras distantes. Quão belo sois pai na luz da graça do infinito quando nos presenteia com o galanteio febril de tempos e o deslumbre fértil da fauna doce que ali brota. Quão revigorante é o dia nascido na aurora ribeirinha, nesse divisor de mundos trigueiro, nosso imenso Mato Grosso tão pertinho de Goiás e Tocantins. E que adjetivo funcional vos destes. O Araguaia é o símbolo da união desses povos, dos vales mais profundamente esquecidos nos rincões de meu Deus. O que dizer dos bravos guerreiros que absorveram a mística desse lugar santo ao longo de sua extensa margem, emigrantes na busca da terra outrora sonhada.
É de pujança e de valor que vive essa gente. Longe dos olhos da capital Cuiabá, reverenciamos o mais belo dos espetáculos naturais deste estado. Bravo Araguaia! Só tu tens esse poder. Ilumina nossos olhos e adianta teu caminho...
Leonardo A. Poth, em São Félix do Araguaia
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Poesias Novembro
((28-08-2010, Imbé-RS))
Mais um dia (12-11-10)
Mamma, Mia!
Mais um dia
Com este sol
Que irradia
Vamos logo a
Estripulia
Que preguiça
Tão vadia
Neste rol
De melacolia
Faz a vida doentia
Nefasta
De mão vazia...
Sigo agora
A padaria
Um pão doce
Eu comeria
Sob o sol
Latente e belo
Ou sobre a lua espero
Desfrutar do firmamento
E esquecer esse tormento
A nuvem se forma
Cheia
E na luta quem peleia
Nas pernas
Sebo maneia
E na sombra
Da pereira
Deleitar úmido fruto
Que derruba e segue
Bruto
Parte ao meio
Afasta o luto
Viste a água
Não chegou
Mas meu peito
Molhou
Do suor
A cabeça debruçou
Pois a fria
Terra pia
Foi-se embora
E desdenhou...
Esperança (08-11-10)
Ela me fez abrir os olhos
Quando o crepúsculo era certo
Dentre querubins dourados
O passo alaranjado estava perto...
Como criança os sinos do céu
Vou ouvir em franco sorriso
E do meu jeito ater-me ao léu
N´um beijo adocicado no caminho
Eu sou o ganso calmo na lagoa
Que desnuda em valsa ébria
O plácido olhar que perdoa
A malta que aflige a pátria
E nessa água fria, penas impermeáveis
Não adentram sequer esperanças
Do calor maternal de temperança
E dias sombrios insuperáveis
Fez-me rir por muitos anos
Nos grãos um a um pelo chão
E a pseudo evasiva dos planos
Me dá um minuto solidão
Pois aquele patinho pequeno
Que desliza manso chafariz
Hoje é vão, é brinquedo
Daquele que pode ser ainda
Meu último dia feliz...
Mas as cuias e verdes ficaram
Solitos, sinceros, em ventos perdidos
Entre lábios prateados assolaram
Aqueles que restaram, malditos feridos
Que gozam frios em patentes
Perdidos, caídos, dementes...
Que lindo pano vermelho
Com escusas pelo que fez um dia
Pois na sombra do horizonte
Já me sinto tão distante
Da velhice que o fez frágil
Do rubor que o fez pleno
Do remorso que me fez tardio...
L.A.P, Comodoro
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Poesia Outubro
Tua ausência (13-10-10)
Partiste sorrateiramente
A pedido do senhor nosso Deus
E desde então a cada dia
Acordo na sua ausência
Ausência essa tola
Pois tenho o coração repleto
E talvez seja isso que tanto
Me sufoca
Esse sentimento vil
Que nada arrepende
Já que a que me basta
Um único olhar se temos
A eternidade?
É essa ausência dolorosa
Que cicatriza o medo
De amar
Sem tuas palavras aqui ecoando
Que o tempo seja justo
Comigo
E abrande a tua ausência
Que teima
Vamos falar sério
Por que essa dor me assola?
Essa ausência que rebate a prêmio
Não pode ser perene
Este é o fatídico fardo
Daqueles que entregam
A vida por um amor
Uma referencia, um ideal...
Isso me consome
Na imagem, no fervor
No calor da madrugada
Onde o sonho se adianta
Onde o exílio do descanso
É obscuridade
Onde os destemperos do ser
Se esquivam e se vão
AB
Partiste sorrateiramente
A pedido do senhor nosso Deus
E desde então a cada dia
Acordo na sua ausência
Ausência essa tola
Pois tenho o coração repleto
E talvez seja isso que tanto
Me sufoca
Esse sentimento vil
Que nada arrepende
Já que a que me basta
Um único olhar se temos
A eternidade?
É essa ausência dolorosa
Que cicatriza o medo
De amar
Sem tuas palavras aqui ecoando
Que o tempo seja justo
Comigo
E abrande a tua ausência
Que teima
Vamos falar sério
Por que essa dor me assola?
Essa ausência que rebate a prêmio
Não pode ser perene
Este é o fatídico fardo
Daqueles que entregam
A vida por um amor
Uma referencia, um ideal...
Isso me consome
Na imagem, no fervor
No calor da madrugada
Onde o sonho se adianta
Onde o exílio do descanso
É obscuridade
Onde os destemperos do ser
Se esquivam e se vão
AB
sábado, 4 de setembro de 2010
Poesias e Crônicas Setembro
Frío (21-09-10)
La paz de las almas sólo puede avanzar
Cuando las flores cubiertas de rocío
Eva de los vinos espumosos perforar
El proyecto limitado de mis odas
Este movimiento brusco
Inspirado, única y sana
Renuente monjes y peregrinos
Primavera voy a subir
Sólo para refrescar
D'alma
Tranquilo, lejos de adulterio
Y tal vez de las creencias
El tamborileo de las velas de pasajeros
Lejos en las salidas y despedidas
En viejo velero llorosos
Mástiles o alcobas lamentable ...
Delírios (16-09-10)
Se o tempo voltasse, diria que ele mesmo, o passado, é feito de incertezas. Obscuridades que teimamos ofuscar em nossos cotidianos. Diria que me coração é portador de várias seitas, sectarismos, distinções... Alojador de escadarias sublimes, catedrais voluptuosas pintadas de rubro, como as faces das glórias que ali brotaram.
Ah, que majestoso seria se o olhar da república fosse de encontro aos sedentos empirismos sucessórios que conclamam o retorno de Cristo... Se as veias saltitantes do povo não convergissem ao mesmo ideal, não contemplasse o mesmo ouro. Como seria faceiro ou o é, trilhar as dunas no calor sazonal do inverno nos mares do sul, procurando a brisa orvalhada da noite tão tênue, o tilintar da vida marinha que ecoa e o nascer do astro que não tarda, como firme propósito de um único dia...
O que seria da vida sem esperança de amar, sem um sorriso em resposta? Se mesmo que ao longe o sofrimento contrastante nos braços de Deus fossem menos ardentes, perdidos, infames. São momentos, delírios da prosa e do verso, que nos conduzem a materialização de um sonho real. Todavia, nem todos são assim, A erva campeira é consolo de grandes e pequenos, do ódio e da verdade, do álcool e da água cristalina.
Minhas vestes são alvas porque o sisudo da vida me basta a despertar. Meus calçados são negros, pois o contraste me agrada e complementa, só que deles não preciso ao seio da grama molhada das orvalhadas da noite que me põem a chorar...
São marcas desse ideal tristonho, que vê beleza no anacronismo e no pó, que vê ternura na mãe servil e cortesã, que vê flores no martírio de incongruências, que mira mérito no estático féretro. Somos detentores do tesouro do amanhã e nele regarei as lágrimas da plebe e o coração só assim despertará... Direi então que me coração é de sangue, tão somente dele, e que nada mais me resta, tampouco delirar...
Spz.
A morte vence (06-09-10)
Não importa o quanto procuramos
No mar das incertezas triviais
Sempre nos certificamos
Que vida e amores, ambos são mortais
Mortais de viva fronte
Que nos passos de velas ardentes
São atores aos montes
Acesos, trêmulos, videntes...
Procuramos entender
Dentre páginas e sermões
Faça o que fizer ou vier
Esses são os grilhões
Que abandonam a sobrevivência
Já que a fadiga é aquela que refresca
A dor da inevitável subserviência
Onde só a morte nos resta...
Seja ela fase, moléstia e solidão
Ou a junção de todos anseios
É na morte que o perdão
Se entrega a lindos devaneios
É na morte que é pura e casta
Que bebês se tornam homens
Que filhos se tornam maridos
E desprendemo-nos dessa vasta
Ilusão que persegue correntes
E enfronham temores e alaridos
A saudade é o freio do progresso
E o alimento paritário do espírito
E como ser um sábio de sucesso?
Quando se avizinha o terrível ofídico?
Como Foucault, elogio a loucura
Pois só ela detém a verdade dos fatos
Que teimam em surgir quando a brandura
Da hierarquia maquiavélica de falos
Nada auspiciosos que ousam tocar na erudita
Ignorância pia e marcante, digna e maldita
As favas com as tolices trigueiras!
A voz que se adianta sempre soube e pertence
Ao ouro dos ricos, suor de reses faceiras
É malogro...a morte sempre vence
Quão inexorável a passagem do eterno
Fruto dessa humilde compaixão
Bastarda da inveja e do medo
Que sepulta incertezas do braço e do pão
É no apego a vida que ela se encerra
No abraço ao éter se faz fortuita
No apelo das cinzas é suja e hiberna
E nos laços ausentes é morna crista de gruta
Essa última reluta o manto dos Deuses
Fadados a cripta do novo alvorecer
Fiando a roca de anjos nascentes
Fugidos, guerreiros, ao leito de morrer
A morte é justa e impiedosa
Como a pena que voou supra
Repete de forma ardilosa
Diminuto suspiro, leve e culta
E na curva do adeus
Com o estandarte da vitória
Rogo a ti senhor Deus
Em aliança monitória
De fulcros e esquifes falantes
Sejam agora como dantes
Consolando a luz de vossa face
Onde a morte sempre vence...
Leonardo Adam Poth, Spz.
Esse é meu caminho... (03-09-10)
O meu caminho é o de volta
Pois o de ida é efêmero, fugaz
Ainda que os rebentes da roda
Me fizessem olhar para traz
Essa trajetória é árdua
Um vai-e-vem infinito
Combate de punhal e espada
Abarcando sempre o alarido
Condizentes nas margens rubras
No azul trigueiro já desbotado
Que clama o delírio das ruas
Desse amor que nunca está acabado
Que é ímpar, salutar
Em alvas asas de arroubos
Meu caminho...vou lutar
Mesmo que insano aos sopros...
Spz, Por Leonardo Adam Poth
La paz de las almas sólo puede avanzar
Cuando las flores cubiertas de rocío
Eva de los vinos espumosos perforar
El proyecto limitado de mis odas
Este movimiento brusco
Inspirado, única y sana
Renuente monjes y peregrinos
Primavera voy a subir
Sólo para refrescar
D'alma
Tranquilo, lejos de adulterio
Y tal vez de las creencias
El tamborileo de las velas de pasajeros
Lejos en las salidas y despedidas
En viejo velero llorosos
Mástiles o alcobas lamentable ...
Delírios (16-09-10)
Se o tempo voltasse, diria que ele mesmo, o passado, é feito de incertezas. Obscuridades que teimamos ofuscar em nossos cotidianos. Diria que me coração é portador de várias seitas, sectarismos, distinções... Alojador de escadarias sublimes, catedrais voluptuosas pintadas de rubro, como as faces das glórias que ali brotaram.
Ah, que majestoso seria se o olhar da república fosse de encontro aos sedentos empirismos sucessórios que conclamam o retorno de Cristo... Se as veias saltitantes do povo não convergissem ao mesmo ideal, não contemplasse o mesmo ouro. Como seria faceiro ou o é, trilhar as dunas no calor sazonal do inverno nos mares do sul, procurando a brisa orvalhada da noite tão tênue, o tilintar da vida marinha que ecoa e o nascer do astro que não tarda, como firme propósito de um único dia...
O que seria da vida sem esperança de amar, sem um sorriso em resposta? Se mesmo que ao longe o sofrimento contrastante nos braços de Deus fossem menos ardentes, perdidos, infames. São momentos, delírios da prosa e do verso, que nos conduzem a materialização de um sonho real. Todavia, nem todos são assim, A erva campeira é consolo de grandes e pequenos, do ódio e da verdade, do álcool e da água cristalina.
Minhas vestes são alvas porque o sisudo da vida me basta a despertar. Meus calçados são negros, pois o contraste me agrada e complementa, só que deles não preciso ao seio da grama molhada das orvalhadas da noite que me põem a chorar...
São marcas desse ideal tristonho, que vê beleza no anacronismo e no pó, que vê ternura na mãe servil e cortesã, que vê flores no martírio de incongruências, que mira mérito no estático féretro. Somos detentores do tesouro do amanhã e nele regarei as lágrimas da plebe e o coração só assim despertará... Direi então que me coração é de sangue, tão somente dele, e que nada mais me resta, tampouco delirar...
Spz.
A morte vence (06-09-10)
Não importa o quanto procuramos
No mar das incertezas triviais
Sempre nos certificamos
Que vida e amores, ambos são mortais
Mortais de viva fronte
Que nos passos de velas ardentes
São atores aos montes
Acesos, trêmulos, videntes...
Procuramos entender
Dentre páginas e sermões
Faça o que fizer ou vier
Esses são os grilhões
Que abandonam a sobrevivência
Já que a fadiga é aquela que refresca
A dor da inevitável subserviência
Onde só a morte nos resta...
Seja ela fase, moléstia e solidão
Ou a junção de todos anseios
É na morte que o perdão
Se entrega a lindos devaneios
É na morte que é pura e casta
Que bebês se tornam homens
Que filhos se tornam maridos
E desprendemo-nos dessa vasta
Ilusão que persegue correntes
E enfronham temores e alaridos
A saudade é o freio do progresso
E o alimento paritário do espírito
E como ser um sábio de sucesso?
Quando se avizinha o terrível ofídico?
Como Foucault, elogio a loucura
Pois só ela detém a verdade dos fatos
Que teimam em surgir quando a brandura
Da hierarquia maquiavélica de falos
Nada auspiciosos que ousam tocar na erudita
Ignorância pia e marcante, digna e maldita
As favas com as tolices trigueiras!
A voz que se adianta sempre soube e pertence
Ao ouro dos ricos, suor de reses faceiras
É malogro...a morte sempre vence
Quão inexorável a passagem do eterno
Fruto dessa humilde compaixão
Bastarda da inveja e do medo
Que sepulta incertezas do braço e do pão
É no apego a vida que ela se encerra
No abraço ao éter se faz fortuita
No apelo das cinzas é suja e hiberna
E nos laços ausentes é morna crista de gruta
Essa última reluta o manto dos Deuses
Fadados a cripta do novo alvorecer
Fiando a roca de anjos nascentes
Fugidos, guerreiros, ao leito de morrer
A morte é justa e impiedosa
Como a pena que voou supra
Repete de forma ardilosa
Diminuto suspiro, leve e culta
E na curva do adeus
Com o estandarte da vitória
Rogo a ti senhor Deus
Em aliança monitória
De fulcros e esquifes falantes
Sejam agora como dantes
Consolando a luz de vossa face
Onde a morte sempre vence...
Leonardo Adam Poth, Spz.
Esse é meu caminho... (03-09-10)
O meu caminho é o de volta
Pois o de ida é efêmero, fugaz
Ainda que os rebentes da roda
Me fizessem olhar para traz
Essa trajetória é árdua
Um vai-e-vem infinito
Combate de punhal e espada
Abarcando sempre o alarido
Condizentes nas margens rubras
No azul trigueiro já desbotado
Que clama o delírio das ruas
Desse amor que nunca está acabado
Que é ímpar, salutar
Em alvas asas de arroubos
Meu caminho...vou lutar
Mesmo que insano aos sopros...
Spz, Por Leonardo Adam Poth
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